AGUAFUERTES ESPAOLAS ROBERTO ARLT PDF

Multitud de gente bien vestida. Esa es la verdad. Despersonalizada Despersonalizada porque hay un poco de todo, como en farmacia. Y ese poco es pretencioso con tendencias al lujo.

Author:Milkree Tygora
Country:Pacific Islands
Language:English (Spanish)
Genre:Science
Published (Last):19 August 2008
Pages:362
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ISBN:647-5-79754-369-8
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O relato de viagem considerado pela crtica um gnero literrio menor e, por isso, no consegue firmar-se como gnero independente na produo de um escritor, ocupando, quase sempre, um modesto lugar no corpo de sua obra. Misturados a crnicas, dirios, memrias compem um conjunto de escritos que a crtica, muitas vezes, se abstm de analisar e classificar.

Os relatos de viagem de Roberto Arlt, por terem origem no trabalho jornalstico, so agrupados junto s crnicas portenhas, no merecendo nenhuma ateno diferenciada, mesmo tratando-se de textos que tiveram na atividade viageira o motivo de sua escritura. No Jitrik JITRIK, , em Crnicas del viaje a Europa, critica o desinteresse pelo texto de viagem e aponta a importncia de retom-los, pois so a oportunidade de recuperar a viso do escritor sobre o lugar visitado e sobre determinada poca porque cuando un escritor habla no es slo l el que por su boca se expresa: es su mundo, su tiempo, su clase.

No entanto, ainda no incio de nossa pesquisa verificamos que o volume citado tratava apenas da etapa inicial da viagem Espanha, correspondente ao perodo em que Roberto Arlt percorreu a Andaluzia e o norte do Marrocos. Com a descoberta de textos inditos constatamos que, o registro da viagem era mais amplo que o apresentado no livro. Optamos por concentrar nossa anlise nesse conjunto de crnicas, no s porque representam um volume maior de textos, mas tambm porque so o produto imediato da experincia viageira.

Descartamos assim do nosso corpus de anlise o livro Aguafuertes Espaolas que narra a experincia de viagem mediada pela distncia temporal e fsica do pas visitado.

Ainda que o livro Aguafuertes Espaolas no seja objeto de estudo deste trabalho parece-nos relevante dar a conhecer algumas informaes a seu respeito: o volume contm trs partes, Cdiz, Marruecos e Granada, que respeitam o trajeto e a cronologia da viagem. Das noventa e quatro crnicas publicadas no jornal, trinta e nove foram transpostas para o livro. Desse modo, um pouco mais da metade continua indita. A juno das crnicas ocasionou algumas alteraes com a finalidade de dar coeso aos textos, modificando assim, sua estrutura original.

Verificou-se tambm a insero de oito fragmentos inditos. Por conseguinte, no se pode considerar o livro como uma coletnea de crnicas, como o caso de Aguafuertes Porteas, volume organizado pelo autor, que apenas selecionou algumas crnicas, sem efetuar qualquer tipo de alterao. Podemos afirmar, portanto, que Aguafuertes Espaolas um texto original que relata a experincia viageira de Roberto Arlt durante seu priplo pela Andaluzia e norte do Marrocos.

Moveu-nos, tambm, a oportunidade de trabalhar com material indito do autor. Assim sendo, o objetivo desta dissertao , alm de resgatar esses textos da periferia, que ocupam na literatura de Roberto Arlt, mostrar sua importncia no conjunto da obra.

O trabalho tambm pretende revelar a imagem do viageiro, pois seu modo de pensar, sentir e posteriormente, representar a experincia da viagem emerge de sua escritura.

Sempre tendo em conta a condio em que viajou Arlt: como correspondente do jornal, ou seja, escritor-jornalista, que viajou a trabalho e que tinha como encargo fornecer notcia dos lugares por onde passava.

O panorama da produo jornalstica de Roberto Arlt ser assunto do primeiro captulo. O texto de viagem aparece como um momento de transio entre a temtica local e a internacional, pois apresenta o autor fora de sua cidade, que necessita documentar-se entrevistar, perguntar, ler, pesquisar - para escrever, uma vez que sua atividade de passeante atento no suficiente, em terra estrangeira, para cumprir a tarefa de cronista.

No segundo captulo nos ocuparemos do narrador das crnicas, a quem denominamos cronista-viageiro. No discurso literrio a figura do narrador est relacionada com o sujeito que assume a responsabilidade do enunciado e no o escritor emprico, produtor do enunciado. Portanto, o foco de nossa leitura o narrador, esse sujeito textual, instalado na narrativa pelo escritor emprico Roberto Arlt e, que nos relata a viagem.

Tentaremos mostrar atravs da leitura das crnicas como Roberto Arlt, a partir de recursos retricos, vai tecendo sua imagem de viageiro e convencendo o leitor a aceitar suas escolhas e opinies. No terceiro captulo trataremos de seguir o cronista em seu percurso espacial e cognitivo. Partindo do principio de que toda viagem tambm uma viagem de conhecimento, acompanharemos o cronista em seus descobrimentos por terras estrangeiras.

Sabemos que o viageiro no possui um olhar virgem, ele carrega uma conscincia potica que direciona seu olhar. Os espaos ficcionais, que leva consigo, so confrontados com os espaos reais durante 12 a viagem. A anlise dos textos deve mostrar que imagem da Andaluzia emerge dessa confrontao. Interessa-nos em nossa anlise seguir as marcas desse narrador no discurso, as reflexes que tece sobre o ato de viajar, seus interesses particulares de viageiro e os interesses inerentes a sua condio de jornalista que viaja a trabalho.

A visita ao Marrocos se configurou como uma viagem particular do cronista. Arlt, no norte magrebino, um turista em frias. No capitulo quatro, trataremos de mostrar a transformao do viageiro em turista por uns dias, as mudanas em seu comportamento e na direo de seu olhar. A anlise dos textos deve mostrar como o olhar do viageiro vai se modificando ao longo da viagem e como o narrador da expectativa, contaminado pelas referncias, vai se libertando para elaborar um discurso prprio que ao alcanar as pginas do livro ser uma nova referncia literria.

S que a veces, a cierta gente, mis notas le pican como cido ntrico. Y con este cido es con el que se graba en metal el diseo de esa clasificacin: aguafuertes. Roberto Arlt Roberto Arlt, escritor e jornalista Roberto Arlt foi um escritor mltiplo, circulou por diversos gneros literrios. Romance, teatro, crnica jornalstica e conto compem a obra Arltiana.

Estria na literatura com a publicao do ensaio Las ciencias ocultas en la ciudad de Buenos Aires, no ano de , em Tribuna Libre, uma publicao bimensal de temas sociolgicos e literrios BORR, , p.

Em , Arlt surge efetivamente no meio jornalstico e literrio. Nesse ano ingressa como colaborador na revista humorstica Don Goyo, publica o conto El gato cocido na revista Mundo Argentino e lana seu primeiro romance El juguete rabioso.

A este seguiram-se Los siete locos, ; Los lanzallamas e El amor brujo, O ano de marca o fim de um ciclo e o comeo de outro, Arlt abandona o romance e se inicia no teatro. At o ano de sua morte escreve dez obras teatrais3. O teatro de 3 Omar Borr e Ral H. Castagnino contabilizam oito peas teatrais que so as seguintes, em ordem de estria: Trescientos millones, ; Saverio el cruel, ; El Fabricante de fantasmas, ; La isla desierta, ; frica, ; La fiesta del hierro, ; Prueba de amor, escrita em ; El desierto entra en la ciudad, escrita em Em volumes editados recentemente encontramos, alm das j 14 Roberto Arlt aparece ligado ao grupo independente Teatro del Pueblo, dirigido por Lenidas Barletta.

Arlt presenciou a montagem de seis de suas peas, cinco delas foram encenadas por esse grupo teatral. A narrativa breve e a crnica periodstica foram gneros constantes na produo literria de Roberto Arlt. Seus contos foram publicados nas revistas El Hogar e Mundo Argentino, e as crnicas, de apario diria, no jornal El Mundo. Nota-se que romance e teatro se sucedem enquanto que o relato breve e as crnicas so constantes e percorrem caminho paralelo na obra do escritor.

Para este estudo propomos dividir a obra de Roberto Arlt em duas categorias: permanente e efmera. A parte permanente composta por textos que o prprio autor trouxe luz atravs de publicao em livro, e so eles: os romances citados acima; as duas antologias de contos, El Jorobadito e El Criador de Gorilas ; a seleo de textos jornalsticos, Aguafuertes Porteas - Impresiones e o volume Aguafuertes Espaolas primeras impresiones Na categoria efmera, figura o restante de suas crnicas e contos4 que tiveram como veculo de publicao exclusivo os jornais e revistas da poca.

Textos publicados em peridicos tm o que se pode chamar de visibilidade transitria, dada a natureza efmera dessas publicaes. Walter Benjamin no ensaio O narrador, quando ope a narrativa informao, afirma que esta s tem valor no momento em que nova, pois est ancorada na atualidade, ao contrrio da narrativa que conserva sua fora atravs do tempo. Assim, uma vez extinta a novidade, desaparece tambm o interesse pela notcia e a utilidade do jornal como veculo de informao5. Contos e crnicas no so textos informativos, mas se impressos no jornal tm o mesmo destino que estes.

Salvos da desapario total, quando arquivados em hemerotecas, esses textos dependem, para seu resgate, do interesse da crtica que, como ser mostrado mais adiante, foi tardio. Julio Cortazar Contudo no se pode negar a importncia, tanto do texto quanto a de seu autor. Alm de ser um estudo pioneiro, que se por um lado contribuiu para impor a imagem de Arlt como um escritor torturado, por outro foi responsvel por seu retorno cena literria, pois, como fundador e diretor da Editorial Futuro empreendeu a tarefa de reeditar a obra de Arlt no comeo da dcada de Em , a revista Contorno, dirigida por Ismael Vias e David Vias, publicou um volume dedicado a Roberto Arlt, inaugurando, assim, efetivamente, os estudos crticos sobre o autor, e que sero retomados partir de meados dos anos de com textos que abordaram diferentes aspectos da obra Arltiana.

No se pode deixar de mencionar o escritor e crtico Ricardo Piglia. Apesar de no ter produzido um estudo dedicado exclusivamente a Roberto Arlt, desde a dcada de vem Omar Borr relaciona as crticas e comentrios quando do lanamento dos quatro romances de Roberto Arlt e aponta tambm a inexistncia de crtica com relao s compilaes de contos e crnica efetuadas pelo autor.

Borre , p. Listamos alguns poucos exemplos a fim de mostrar algumas abordagens efetuadas obra arltiana. Para Omar Borr , p. As questes abordadas pela crtica, nos trabalhos relacionados acima, se repetem em outros estudos bem como o corpus de anlise que, quase sempre se concentra nos romances Lo Siete Locos e Los Lanzallamas.

Rita Gnutzmann chama a ateno para esse fato, Uno de los problemas observados es la insistencia de los crticos en las mismas cuestiones y en los mismos textos, sin conocer o tener en cuenta los trabajos de estudiosos anteriores. Apesar de numericamente superior, a obra efmera no recebeu da crtica a mesma ateno que a dada aos seus romances. Durante a pesquisa efetuada para a elaborao desta dissertao, os poucos trabalhos encontrados, dedicados ao estudo de crnicas e contos, se configuravam como breves captulos que compunham uma obra maior.

Apoiados em um corpus de anlise restrito aos textos publicados nas citadas antologias9 - exceo feita ao pioneiro trabalho de Scroggins sobre as aguafuertes. Ou ainda artigos dispersos em peridicos, mas no por isso, menos importantes.

A visibilidade transitria de contos e crnicas justificaria a exiguidade dos estudos dedicados a esses textos somente at meados da dcada de Perodo em que, se os textos no eram ignorados, tampouco eram de acesso fcil. Roberto Arlt caiu no domnio pblico o que impulsionou a compilao de muitos de seus textos ainda inditos em livro. Publicam-se seus Cuentos Completos e uma srie de volumes reunindo boa parte de suas crnicas.

O surgimento de material indito, entretanto, no estimulou os trabalhos crticos e isso leva seguinte hiptese: a tendncia da crtica em considerar contos e crnicas como obra menor frente ao romance e poesia.

Aqueles so gneros que ocupam uma espcie de periferia dentro da produo literria de um autor. No caso da crnica, colabora para arrast-la a essa periferia o fato de a crtica ver no trabalho jornalstico apenas a profissionalizao do escritor, uma atividade que visa exclusivamente garantir seu sustento. Com isso acaba por desconsiderar uma parcela significativa de sua obra. O jornalismo, como atividade do escritor, aparece na Amrica Latina, no final do sculo XIX, mas a figura do escritor-jornalista, que efetivamente tira seu sustento do trabalho na imprensa, surge nos primeiros anos do sculo XX.

Nessa poca a Argentina passa por um processo de democratizao do ensino e da cultura, o que garante o acesso educao s camadas populares, proporcionando o declnio do analfabetismo e, por conseguinte, a gerao de um novo pblico leitor. A imprensa contribuiu nesse processo no sentido de abastecer e, por que no, formar novos leitores, ao mesmo tempo em que se torna um dos modos de acesso cultura. Esse movimento abrangeu outras capitais da Amrica Latina e teve papel relevante no processo de interligao entre intelectuais latino-americanos ZANETTI, O jornalismo, at ento, era exercido por polticos e pela elite intelectual e tinha como seus principais expoentes, na capital portenha, os dirios La Nacin, La Prensa e La Razn.

Fazia-se necessrio uma imprensa comprometida com o novo pblico oriundo das camadas populares. Aparecem, ento, nas primeiras dcadas do sculo XX, jornais e revistas destinados a atender a esses leitores. Em , Natalio Botana funda o dirio Crtica. Com destaque para os eventos esportivo e policial, apresentava notcias ilustradas, sesses dedicadas mulher, criana, ao cinema e um suplemento literrio.

Um jornal dirigido s camadas mdia e 18 popular e que atendia a toda a famlia. A principal novidade deste o tamanho tablide, ideal para ser lido no bonde ou trem a caminho do trabalho. Assim como seu antecessor se dirige a toda a famlia e essa inteno anunciada em cada pgina com as seguintes chamadas: Diario del todo el da para toda la famlia, Diario moderno, cmodo y sinttico, Diario que interesa a la mujer, al hogar, al nio.

Busca ser ao mesmo tempo veculo de informao e entretenimento. Arlt integrou a equipe de redatores do jornal entre os anos de a Pertenciam ao mesmo grupo editorial as revistas El Hogar e Mundo Argentino, por onde circularam os autores acima citados e tambm o escritor Horacio Quiroga. O incremento da atividade jornalstica levou a contratao de jovens escritores que passaram a atuar profissionalmente na imprensa.

J no se trata mais do intelectual, que eventualmente escreve para o dirio ou uma revista, mas sim de um profissional que encontra nessa atividade o seu sustento.

LISA MUCHAPRISA PDF

Aguafuertes africanas

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6RI100E 080 PDF

Rosemeire Andrade Carvalho - Roberto Arlt, sus aguafuertes marroquíes y españolas

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